quarta-feira, 15 de junho de 2011

Simples

Eu quero um jumento
e um sítio pra morar
Uma macieira
e três pereiras no pomar

Eu quero uma morena, uma loira, uma ruiva,
tanto faz,
mas uma moça doce pra beijar

Eu quero um moleque (ou moleca)
dizendo "eca" vendo uma lesma deslizar,
dizendo "papai, vamo pra ciranda cirandar"

Eu quero pouco
e não peço nada
Os desejos simples
e simples os sonhos

Mario Sergio

terça-feira, 14 de junho de 2011

Vontade, vontade, vontade

Vontade de nascer
Vontade de morrer
Vontade de renascer
Vontade de ser
Vontade de estar
Vontade de ter

Vontade, vontade, vontade

Mario Sergio

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Moça, mocinha, moçona

Moça, mocinha, moçona,
eu andei pelos desertos da morte
antes de encontrar você,
eu era um andarilho triste e sem sorte
antes de conhecer você ,
eu estive preso mil vezes sem saber
antes de saber que o amor é a vida e amar é viver

Agora que achei você,
eu venderia a minha alma ao Inferno
só para sentir o divino dos seus abraços,
eu mataria cem ursos no inverno
só para ouvir o calor dos seus cantares

Agora que achei você,
eu sou o escravo das correntes dos seus cabelos,
eu sou o sacerdote da religião dos seus segredos

Moça, mocinha, moçona, agora que achei você, eu me perdi

Mario Sergio

domingo, 5 de junho de 2011

O mundo tem surdos de mais

A tarde passou,
a noite chegou,
daqui a pouco,
o dia acabou

O moço falou,
ninguém escutou,
taparam os ouvidos,
não ouvem sua dor

Mario Sergio

Bom soninho

Choro, choro, choro
Imploro, imploro, imploro
Me ignoram e voltam a dormir

Não é do interesse de ninguém acordar
Se acordam, voltam a dormir outra vez

"Dorme neném que a Cuca vem pegar..."

Mario Sergio

Nasço da sua falta de amor

Venho do fogo, do enxofre, do escuro, do açoite
Venho da noite, da nuvem, da ferrugem
Venho de toda a mágoa, de todo o rancor, de toda a mácula
Venho da sua falta de amor, nasço da sua falta de amor

Sou o anjo torto com tortos sonhos nas mãos
A minha auréola é negra como negro o coração
Sou o anjo torto com tortos sonhos nas mãos

Você me cria, recria em cada pensamento
Você me cria, recria em cada julgamento
Você me cria, recria e eu crio, recrio esse seu tormento

Mario Sergio

Vou nas asas do vento

Vou voar nas asas do vento sem direção
Vou voar sem paradas,
sem estações,
sem moradas,
sem habitações

Vou voando sem saber aonde ir
Vou voando sem saber chorar ou sorrir
Vou voando, vou voando, vou voando... pois voar é preciso

Mario Sergio