quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Viver no escuro

Mau humor, dia de mau humor
Mau amor, tudo culpa do mau amor

Mal amados pela vida ou vida mal amada
Tanto faz
Só sei que desanima estar no escuro
Se lá fora a luz brilha mil vezes mais

A espera dizem ter fim,
Mas quem está no fogo
Não pensa com uma lógica assim

Quem está no fogo vê o tempo como inimigo impiedoso
Não passa, por que não passa? Chega logo um momento de pura graça
Pedido desesperado, grito alucinante, só quem brada alto sabe

Mario Sergio

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Paz interior

A noite alta e o cheiro de chuva lá fora
Aqui dentro, a inquietação cede à contemplação do que é belo
Tudo é belo
Até mesmo o meu chinelo ali, calçado dos meus pés

Não é poético? O que é poético?
Cada coisa tem potencial pra virar uma canção, virar um poema
É só querer
Rearranja aqui, ali e lá está

Eu quero glorificar a alegria de ser quem sou, de ter quem tenho,
De amar quem amo, de ser amado por quem quer que seja
Não importa muito nada que importa tanto quanto dizem
Quando se vive essa sutil paz interior

Quem dera conseguisse manter esse sentimento o tempo todo
Eu sei que eu posso, mas não faço
Ninguém faz. Por quê?

Mario Sergio

sábado, 17 de dezembro de 2011

Menina das nuvens

Carol, coral, caro e corado,
Carícia nas ondas do mar,
Delícia dos deuses do ar,
Viagem noturna, sem estrelas, sem cometas,
Só cardápios de manjares de preta

Carol, coral, caro e corado,
Cabelo de cachos e cachos e cachos
Castanhos, castanhas de textura remota,
A tristeza não faz cota nas suas curvas suaves,
Menina das nuvens de céus azuis, sempre azuis

Mario Sergio

sábado, 10 de dezembro de 2011

Ele vem vindo aí

Deixando as ideias rolarem
Como pedras ladeira abaixo e escrevendo sem pensar, vou
Eu sou aquele que clama no deserto. Quer apostar?

Veja só o Mestre vindo aí
Vem usando novas roupas,
Um corte novo de cabelo,
Barba feita...
Será que crucificam de novo?
Será que vão apedrejá-lo
Quando ele começar a falar mal da Coca-Cola ou dos tênis de marca?

Pobre Mestre... Ama tanto a todos nós
E foi, é e será tratado como um cachorro por nos ensinar o verdadeiro sentimento
Ninguém quer amar ninguém, né? Acho que é

Mario Sergio

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Moreninha

Moreninha, linda de rosto e feia de coração,
Eu sou aquele moço que você não liga não,
Eu sou aquele moço que achou que era possível
Um amor entre a sua doçura e a minha educação

Pobre de mim, apeguei-me a uma ilusão
Esses seus olhos verdes não querem me ver
Essa sua boca macia, rosada, desejada nunca me beijou,
Mas a minha alma triste e cansada sempre a almejou

Por que me trata mal se só quero seu bem?
Será que não sou legal, inteligente e charmoso como lhe convém?
Não sei mesmo onde amarrei meu burro por gostar de alguém
Que, além de não gostar de mim, me traz como um zé-ninguém

Porém não desanimo, busco novo arrimo e sigo meu destino. Amém!

Mario Sergio

Psicodelia

Olha só a birrenta,
Quer, quer, quer e não se aposenta

Se contrariada, fica irritada,
Não chega perto senão leva facada,
Não chega perto que seu chicote tem ponta de aço

Eu rio e me faço de palhaço só pra ver faísca,
Entre ser o peixe e ser a isca, eu fico com a linha

Parece bobagem de bêbado, mas quem bebe tem a mente oca,
Aberta pra novas visões de vida
Distorcidas? Talvez... Mas psicodelia também tem valia, negão

Mario Sergio

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ninfa dos campos

Andando distraído pelos campos,
avistei uma ninfa linda e aos prantos

Perguntei o que sentia,
e ela me disse que seu peito ardia

Seu amado havia ido embora
naquele dia, naquela hora,
e a pobre e linda ninfa estava só e triste agora

Trouxe para perto a bela campreste,
disse que a vida é mesmo agreste,
mas também é milagrosa a quem a veste

Ela não entendeu direito,
porém sorriu de um certo jeito
que me fez querer beijá-la,
que me fez querer abraçá-la
e quem sabe até amá-la...

Mario Sergio